A motricidade orofacial trabalha os músculos que movem os lábios, a língua, a mandíbula e o véu palatino: os mesmos que intervêm ao falar, mastigar, engolir e respirar. Quando um deles não cumpre a sua função, o resto ressente-se em cadeia.
Aqui está reunido o material que um terapeuta da fala precisa para intervir sobre essa cadeia, organizado pelo que se faz com ele.
Avaliar antes de intervir. Em exploração e diagnóstico estão os instrumentos de medida: paquímetro, lápis dermográfico e protocolos para registar o ponto de partida.
Estimular o tónus. A vibração desperta a musculatura antes do exercício; a eletroestimulação trabalha grupos musculares concretos e a bandagem neuromuscular mantém o estímulo entre sessões.
Treinar a função. Mastigação para a mandíbula, lábios, língua e mais para as praxias e respiração para o padrão respiratório.
Reabilitar. Deglutição e alimentação para a criança em terapia, disfagia para o adulto e laringectomia para a reabilitação após cirurgia.
Corrigir e harmonizar. Hábitos nocivos e generalização para a sucção digital e a respiração oral, e estética facial e termoterapia.
O que é a motricidade orofacial
É a área da terapia da fala que se ocupa das funções orofaciais: respiração, sucção, mastigação, deglutição e fala. Não trata a articulação dos sons isoladamente, mas o sistema muscular que as torna possíveis a todas.
Um exemplo explica-o melhor do que uma definição. Uma criança que respira pela boca mantém a língua em baixo e à frente em vez de apoiada no palato. Com os anos, essa postura modifica o palato, altera a mordida, muda o padrão de deglutição e acaba por afetar a forma como pronuncia alguns sons. O problema não começou na fala: começou na respiração.
Como escolher o material segundo a fase da intervenção
Avaliação
Sem medida não há progresso demonstrável. O paquímetro e o lápis dermográfico permitem registar amplitudes e marcar pontos de referência sobre a pele, e repetir a medição semanas depois nas mesmas condições.
Preparação do músculo
A vibração e a termoterapia usam-se antes do exercício, não em vez do exercício. Preparam o tecido para que o trabalho ativo renda mais.
Trabalho ativo
Aqui entram os tubos de mastigação, os exercitadores linguais e labiais e as ferramentas de praxias. É a parte que produz a mudança.
Manutenção entre sessões
A bandagem neuromuscular e os exercícios prescritos para casa sustentam o conseguido quando o paciente não está presente.
Motricidade orofacial em crianças e em adultos
Nas crianças o foco costuma estar no desenvolvimento: hábitos de sucção que persistem, respiração oral, deglutição atípica, dificuldades de mastigação. O material tende a ser mais pequeno e mais lúdico.
Nos adultos o foco é reabilitador: disfagia após um AVC, sequelas de cirurgia, paralisia facial, ou o trabalho estético e de tónus. Muda o tamanho, muda o protocolo e muda o ritmo.
Perguntas frequentes
É necessária formação específica para usar este material?
Para o material de avaliação e de exercício ativo, a formação de terapeuta da fala é suficiente. A eletroestimulação e a bandagem neuromuscular exigem formação específica: são técnicas com contraindicações.
Pode usar-se no domicílio do paciente?
Boa parte sim, com indicação do profissional. Os tubos de mastigação e os exercitadores estão pensados para trabalhar também fora da sessão.