Jogos de linguagem
Juego de lenguaje oral – /S/ Cube
Juego de conciencia fonológica – Fonocube
Kit projetor de histórias
A linguagem não se ensina explicando: constrói-se a falar, e uma criança fala quando tem algo que lhe apetece dizer. Por isso o melhor material de linguagem não é o que “trabalha” a linguagem de frente, mas o que cria situações em que falar vale a pena.
Aqui encontras jogos de linguagem oral e consciência fonológica como /S/ Cube e Fonocube, jogos de vocabulário e categorias, material de narrativa e sequências, e o sistema de conta-histórias FABA para escuta e compreensão.
Faz parte de tipo de jogo e relaciona-se com os jogos de leitura e escrita e com o jogo simbólico, onde surge mais linguagem espontânea.
Que componente da linguagem trabalha cada jogo
"Linguagem" é um chapéu-de-chuva. Por baixo há coisas muito diferentes, e o material adequado muda conforme o objetivo:
- Fonética e fonologia. Produzir os sons e organizá-los. Entram aqui os jogos de um fonema concreto — como o /S/ Cube — e os de consciência fonológica: segmentar sílabas, identificar o som inicial, rimar.
- Semântica (vocabulário). Quantas palavras conhece e como as tem organizadas. Lotos, categorias, jogos de definir e adivinhar.
- Morfossintaxe. Como constrói a frase. Jogos de completar, de ordenar, de descrever cenas.
- Discurso narrativo. Contar algo com princípio, meio e fim. Sequências temporais, histórias para recontar, conjuntos de personagens.
- Pragmática. Usar a linguagem com o outro: pedir a vez, perguntar, reparar um mal-entendido. Aqui funcionam os jogos de tabuleiro cooperativos e os de perguntas.
A consciência fonológica, explicada sem tecnicismos
É a capacidade de perceber que as palavras são feitas de bocados de som, e de conseguir manipular esses bocados. Não tem nada a ver com as letras: uma criança de quatro anos que não sabe ler pode perfeitamente dizer que "mesa" começa como "mota".
Importa porque é um dos melhores preditores da leitura posterior. A progressão habitual vai do grande para o pequeno: primeiro rimas e palavras dentro de uma frase, depois sílabas (bater palmas a "bor-bo-le-ta") e por fim fonemas, que é o verdadeiramente difícil e o que liga diretamente a ler.
Um jogo tipo Fonocube funciona precisamente porque torna essa manipulação visível e manipulável: a criança vê o bocado, move-o, muda-o de sítio. E em casa pode fazer-se sem material nenhum — a contar sílabas a caminho da escola — que é o que convém dizer às famílias.
Como tirar mais linguagem de qualquer jogo
Há três estratégias que mudam por completo quanto fala uma criança, e não dependem do material:
Espera. Depois de dizer algo, contar até cinco em silêncio. A maioria dos adultos preenche o silêncio em menos de dois segundos, e é nesse intervalo que a criança teria falado.
Oferece opções em vez de perguntar sim/não. "Queres o vermelho ou o azul?" produz linguagem; "queres este?" produz um aceno de cabeça.
Amplia o que diz. Se disser "carro", responder "sim, um carro vermelho". Se disser "carro vermelho", responder "o carro vermelho vai muito depressa". Chama-se expansão e é a técnica de estimulação da linguagem com mais evidência, além da mais fácil de aplicar.
Material de linguagem em consulta e em casa
Os terapeutas da fala costumam procurar material que permita graduar: o mesmo jogo com mais ou menos apoio, com mais ou menos vocabulário, com turnos mais curtos ou mais longos. Um bom material de linguagem não é o que tem mais peças, é o que serve para quatro objetivos diferentes conforme o uso.
Para as famílias, o critério é outro: que se possa jogar em dez minutos, que não exija ler instruções e que a criança queira repetir. O material desta categoria está escolhido a pensar nos dois contextos.
Perguntas frequentes sobre jogos de linguagem
Que jogos ajudam uma criança que fala pouco?
Os que criam necessidade de comunicar mais do que os que pedem para repetir: jogos com vez, com surpresa, ou onde seja preciso pedir uma peça ao adulto. Um frasco transparente que a criança não consegue abrir sozinha gera mais linguagem do que uma lâmina de vocabulário. Se a preocupação persistir, o que compete é uma avaliação em terapia da fala.
Com que idade se pode começar a trabalhar a consciência fonológica?
Por volta dos 3-4 anos com rimas e sílabas, que é o acessível nessa idade. O trabalho com fonemas isolados chega mais tarde, por volta dos 5, e é o que se relaciona mais diretamente com a aprendizagem da leitura.
Os conta-histórias em áudio servem para a linguagem?
Trabalham a compreensão oral, a atenção auditiva e o vocabulário, e têm a vantagem de não ter ecrã. Não substituem a interação com um adulto — que é o que mais impacto tem — mas funcionam muito bem como ponto de partida: a criança ouve e depois comenta-se, reconta-se ou representa-se o que aconteceu.
Este material é só para terapeutas da fala?
Não. Uma parte é material específico de consulta, mas a maioria são jogos que qualquer família pode usar sem formação. O que muda é o objetivo: o terapeuta usa-os para trabalhar algo concreto e medi-lo; em casa usam-se para brincar, que é exatamente o que tem de acontecer em casa.