Cálculo e linguagem matemática
Oficina de cubos e números
A maioria dos erros num problema de matemática não são de cálculo. São de compreensão: a criança sabe subtrair, mas não sabe que «quantos ficam» significa subtrair.
Por isso esta categoria trata as duas coisas ao mesmo tempo — o número e as palavras que o rodeiam —, que é exatamente o terreno onde a terapia da fala e a matemática se cruzam.
Numeração e quantidade. Material para associar quantidade, símbolo e palavra, que é o primeiro passo e o que mais se dá por garantido.
Operações. Material manipulativo de adição, subtração e decomposição, para que a operação se veja antes de se escrever.
Resolução de problemas. Enunciados, sequências e material de estrutura do problema: o que me perguntam, que dados tenho, o que sobra.
Linguagem matemática. O vocabulário específico: mais do que, menos do que, quantos ficam, ao todo, o dobro, metade. É a parte invisível e a que mais falha.
O material manipulativo puro está em raciocínio lógico e matemática, e o jogo de lógica em jogos de lógica e matemática. A compreensão do enunciado apoia-se em leitura e escrita.
A linguagem matemática é linguagem
«O João tem 8 berlindes e perde 3. Quantos lhe ficam?»
Para resolver é preciso saber subtrair, sim. Mas antes é preciso saber que «perde» implica tirar, que «quantos lhe ficam» pede o resultado dessa subtração, e que a ordem dos números no enunciado não é a ordem da operação.
Uma criança com dificuldade de compreensão leitora falha esse problema com a subtração perfeitamente aprendida. E costuma ser-lhe diagnosticado um problema de matemática.
Por isso o trabalho de enunciado — identificar a pergunta, os dados e o que sobra — é tão rentável: resolve ao mesmo tempo matemática e compreensão.
Do manipulativo ao simbólico, em três passos
Concreto
Conta-se com objetos que se tocam. Oito berlindes a sério. Ainda não há abstração.
Representacional
Desenha-se ou representa-se com fichas. A quantidade já não está à frente, mas vê-se.
Abstrato
Só o símbolo: 8 − 3. É o objetivo, e chega depois dos outros dois.
Saltar o primeiro é o erro mais comum, e explica muitos bloqueios: a criança manipula o símbolo sem que signifique nada.
Perguntas frequentes
Este material serve para discalculia?
Sim, e também para dificuldades de matemática sem diagnóstico. A abordagem manipulativa e o trabalho de enunciado são úteis nos dois casos. O diagnóstico faz-se com o profissional que corresponda.
Porque há material de cálculo numa loja de terapia da fala?
Porque a linguagem matemática é linguagem. A compreensão do enunciado, o vocabulário quantitativo e as relações lógicas são objetivos de terapia da fala tanto como de matemática.
A partir de que idade?
O trabalho de quantidade e correspondência começa no pré-escolar. A resolução de problemas com enunciado escrito, a partir de haver leitura fluente.